12 fevereiro, 2010

Para bom entendedor meia palavra basta.

O BARRETE SERVIRÁ A QUEM DE DIREITO:



Dia 10/02/2010 o sr. Paulo Portas deu ideias para que
«... fossem os políticos a dar o exemplo no espírito de contenção e sacrifício que se exige ao país para este ano, abdicando do 13º mês...».

Para começar «... este ano...» porque decerto está-se mesmo a ver para o ano e os próximos para quem será! (para a população assalariada? e depois para os desempregados involuntários??)

Notícia em:

CDS propõe cortar salários dos políticos


Ok, vou direita ao assunto (pequena experiência de vida) que na realidade me fez relembrar esta notícia aparentemente digna e recomendável.

Sim, fez-me lembrar de algo que aconteceu comigo no passado (há +- 22 anos)e adivinhem passo a contar:

- Trabalhava eu como caixa de balcão num duty free shop (em Portugal) e estávamos na época do Natal. A chefe de loja (única na altura) deu ordens expressas para passarmos a encher o expositor rotativo de Swatch's (relógios de pulso , dentro de um género de gavetinhas, digamos que cabiam no total aí entre 30 a 50, colocados em cima do balcão à disposição dos passageiros)e não trancá-lo (quero referir que tínhamos por habito encher o expositor e trancá-lo para evitar roubos).

Na loja trabalhavam 5 pessoas ao todo (contando com a chefe) no fim do ano tivemos de contar o material em armazém e na loja (como é normal em qualquer loja) agora o que não foi normal foi terem desaparecido precisamente 5 Swatchs's (cinco relógios).

Ora a chefe disse que na sede (em Lisboa) era melhor não saberem do sucedido e que podíamos resolver a situação no local, adivinhem a proposta... a Srª chefe achou que cada uma (incluindo ela própria) pagava 1 relógio e as coisas ficavam resolvidas.

Toda a gente concordou menos eu, e defendi-me mencionando que ela era a maior responsável por ter dado ordens para não trancar-mos o expositor, ao que ela respondeu que os relógios poderiam ter sido roubados quer por passageiros ou por qualquer uma das caixas de balcão. Eu, então fiz questão de referir que dentro do campo de possibilidades ela também estava incluída.

As minhas colegas (incluindo a chefe) concordaram em dar o valor correspondente a 1 relógio (cada uma) ficando todas contra mim por não entrar na "jogada".

Para não me aborrecerem afirmei então que quando recebesse o prémio anual pagaria a minha parte mas, nunca o fiz e isso não me preocupou absolutamente nada pois, não poderia ter peso na consciência por algo que não fiz, isto é, não tenho por hábito ficar com o que não é meu, aliás, pouco tempo depois fui trabalhar para outra empresa).

Agora andemos uns anos mais à frente:
Há poucos anos atrás fiquei sabendo que essa Sr.ª foi apanhada em flagrante com dinheiro (um porradão de notas) dentro do sapato, que as colegas andavam de olho nela e que acabou por ser apanhada...


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Voltando à notícia inicial e depois de ter contado esta breve história que aconteceu comigo acho que me fiz entender. Como se costuma dizer: - Para bom entendedor meia palavra basta.

Acho justo que quem roubou ao longo de vários anos (e até décadas) do erário público e dos dinheiros dos fundos comunitários deverá devolver o dinheiro aos cofres do Estado. Agora fazerem com que outros que nada têm a ver com isso paguem é vergonhoso.

Tenho dito.

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